Ir para o conteúdo

“Descoberta Acidental do Eletromagnetismo: Oersted e sua Contribuição à Ciência” – Episódio 11 do ‘A Ciência pela História’ no Jornal da USP

  • Página Inicial
  • |
  • Atualidades
  • |
  • “Descoberta Acidental do Eletromagnetismo: Oersted e sua Contribuição à Ciência” – Episódio 11 do ‘A Ciência pela História’ no Jornal da USP

“Descoberta Acidental do Eletromagnetismo: Oersted e sua Contribuição à Ciência” – Episódio 11 do ‘A Ciência pela História’ no Jornal da USP

26 de fevereiro de 2025

Autores:

Redação


Por Gildo Magalhães, Professor Sênior do Instituto de Estudos Avançados (IEA) da USP

A ciência, frequentemente vista como um campo de rigor e precisão, também é marcada por acontecimentos inesperados que podem mudar seu rumo. A noção de “serendipidade”, ou descoberta acidental, indica que muitos avanços científicos surgem do acaso. Essa expressão, que remonta ao escritor inglês Horace Walpole, foi inspirada por uma história persa sobre príncipes que, em suas jornadas, encontravam tesouros não buscados.

Um exemplo emblemático dessa serendipidade na ciência é a famosa experiência do químico dinamarquês Hans Christian Oersted, realizada em 1820. Oersted observou um fenômeno intrigante: a agulha de uma bússola desviava sua direção quando uma corrente elétrica passava por um fio próximo. Essa descoberta não apenas desafiou a percepção da eletricidade e do magnetismo, como também lançou as bases para o desenvolvimento do eletromagnetismo, transformando a maneira como a eletricidade seria utilizada nas indústrias e nas comunicações, dando início a uma era de avanços tecnológicos sem precedentes.

Porém, ao contrário do que muitos livros-texto afirmam, o experimento de Oersted não foi um mero acidente. Ele foi o resultado de um plano de pesquisa meticulosamente elaborado, sustentado por suas investigações anteriores e sua vasta obra. Oersted era um seguidor da filosofia natural, conhecida na época como Naturphilosophie, que enfatizava a interconexão de todos os fenômenos da natureza, como defendido por pensadores como Goethe e Humboldt. Sua experiência era, portanto, um desdobramento de suas reflexões anteriores sobre a relação entre eletricidade, calor e luz, antecipando a compreensão moderna sobre radiação eletromagnética.

A eletricidade, por sua vez, era um campo vasto de pesquisa durante o início do século 19, envolvendo não apenas a física, mas também a química e a biologia. As ideias de unificação da natureza começavam a emergir, desafiando a visão mecanicista de Newton. Assim, cientistas como Benjamin Franklin e Alessandro Volta exploraram novas dimensões da eletricidade, contribuindo para a reflexão sobre a unidade das forças fundamentais que regem o universo.

A jornada de Oersted não se limitou ao seu experimento inovador. Ele também promoveu a união entre ciência e arte, buscando uma abordagem interdisciplinar que valorizasse a beleza da natureza. Seu poema épico, "A Aeronave", publicado em 1837, é um testemunho desse pensamento, onde sugere que a história da ciência deve não apenas informar, mas também inspirar as futuras gerações sobre o valor do conhecimento científico.

Como enfatizou o cientista francês Louis Pasteur, "o acaso só favorece os espíritos preparados". Isso ilustra que, embora o acaso tenha seu papel, a habilidade de observar e interpretar fenômenos é crucial para que sucessos científicos se concretizem. A trajetória de Oersted serve como um lembrete de que a ciência é um campo não só de descobertas acidentais, mas também de preparação e reflexão profunda.


As opiniões expressas pelos articulistas do Jornal da USP são de inteira responsabilidade de seus autores e não refletem opiniões do veículo nem posições institucionais da Universidade de São Paulo. Para mais informações, acesse nossos parâmetros editoriais para artigos de opinião.



Link da Fonte

Compartilhe:

Compartilhe emfacebook
Compartilhe emtwitter
Compartilhe emlinkedin

Mais lidas