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Delegado José Oswaldo Vieira: memórias de um defensor da democracia e dos direitos humanos no Brasil.

O legado de José Oswaldo Vieira

No dia 25 de janeiro de 1984, o delegado José Oswaldo Vieira compartilhava com o governador de São Paulo, Franco Montoro, a preocupação com a pressão contra o comício das Diretas Já, planejado para aquele dia na praça da Sé. O local era monitorado de perto pela cúpula da segurança paulista.

No meio da multidão, um dos filhos de José Oswaldo participava daquele momento. Era Oscar Vilhena Vieira, 58, colunista da Folha e, na época, estudante de direito da PUC-SP. “Eu me lembro dele narrando que havia muita preocupação com algum tipo de confusão provocada, havia acontecido o atentado do Riocentro [em 1981]”, diz o advogado.

O próprio José Oswaldo relembrou a pressão do governo Figueiredo contra o comício no Painel do Leitor da Folha em 2014. “Franco Montoro respondeu: ‘Diga ao presidente [Figueiredo] que me responsabilizo integralmente pelo evento, pois confio no povo paulista’.”

Tornou-se delegado-geral de polícia em setembro de 1984 a convite de Montoro, seu antigo professor. Na sua gestão foi criada a primeira delegacia da mulher de SP, em 1985. Celso Vieira Vilhena, um de seus quatro filhos, já falecido, deu nome ao Centro de Direitos Humanos e Segurança Pública da academia da Polícia Civil de São Paulo, no qual ele também deu aulas.

Em 1999, foi nomeado por José Carlos Dias, 85, na época ministro da Justiça e secretário da mesma pasta no governo Montoro, para comandar a Secretaria Nacional de Segurança Pública na gestão de Fernando Henrique Cardoso.

“Eu precisava de alguém que tivesse grande experiência e um caráter muito forte”, afirma Dias, que delegou ao amigo a elaboração de um plano nacional de segurança pública, lançado em 2000.

Para o ex-ministro de Direitos Humanos Paulo Sérgio Pinheiro, 80, o amigo, integrante de uma geração que buscava reformar instituições durante a abertura política, era a essência do funcionário público. “Era um negociador, um diplomata. A referência do padrão para um servidor do estado.”

Nascido em Taubaté (SP) em 20 de janeiro de 1933, José Oswaldo conheceu na adolescência Izabel Vilhena Vieira, sua futura mulher. Anos depois, foram juntos à capital do estado para estudar na PUC-SP —ele, direito, e ela, pedagogia. Ele morreu no último sábado (5), aos 91 anos, em decorrência de uma leucemia. Torcedor do São Paulo, deixa os filhos Carlos, 62, Roberto, 61 e Oscar, cinco netas, um neto, um bisneto e duas noras.

Para mais informações sobre o funeral e homenagens, entre em contato através do e-mail: coluna.obituario@grupofolha.com.br

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