Resgate histórico: réplica de gruta sagrada dos indígenas waurá é inaugurada no Xingu após vandalismo e celebração de 12 horas

Na aldeia Ulupewene, localizada ao norte de Mato Grosso, os sons dos instrumentos tradicionais de sopro do povo waurá ecoaram desde o início da madrugada. A celebração, que durou mais de 12 horas, marcou o resgate de uma memória importante para os indígenas do Xingu, sob o sol escaldante e alta temperatura.

A festa foi em homenagem à réplica da gruta sagrada de Kamukuwaká, considerada o berço da história dos povos do Alto Xingu. A peça, confeccionada com tecnologia de ponta em Madri, foi inaugurada nos dias 3 e 4, permitindo que os indígenas contemplassem reproduções de petróglifos milenares perdidos devido ao vandalismo na gruta original.

Com o envolvimento de indígenas locais em todas as etapas do projeto, desde a pesquisa até a confecção da réplica, a iniciativa contou com a parceria do centro britânico de arte PPP e da ONG Factum Foundation, da Espanha. A peça, feita de isopor, poliuretano, resina e tintas acrílicas, mede oito metros de largura por quatro de comprimento.

Tombada pelo Iphan desde 2016, a gruta original continha gravuras rupestres com mais de 250 anos, narrando o modo de vida dos indígenas da região. Akari Wuará, cacique da tribo, vê na réplica uma forma de fortalecer a cultura e a luta pelos direitos indígenas, preservando a história e os conhecimentos transmitidos na gruta.

A perda dos petróglifos originais entristece a comunidade, mas a presença da réplica na aldeia renova a conexão com a cultura ancestral. Para evitar novos danos ao monumento sagrado, o Iphan registrou um boletim de ocorrência e reforçou a preservação em parceria com os indígenas.

A réplica, agora abrigada no primeiro Centro Cultural e de Monitoramento Territorial do Xingu, representa a união entre tecnologia em 3D, arte e saberes ancestrais. O diretor de arte da PPP, Paul Heritage, destaca a importância da cooperação para a preservação das tradições e o respeito aos povos indígenas do Brasil.

Após seis anos de trabalho conjunto, o resgate da história waurá no Xingu se concretizou, trazendo a cultura ancestral para as gerações presentes e futuras.

O repórter viajou a convite da People’s Palace Projects

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