Neurocientistas mapeiam o cérebro minúsculo de uma mosca-das-frutas, revelando complexidade surpreendente em espaço reduzido

Descobertas impressionantes sobre o cérebro de uma mosca-das-frutas

No dia 2 de novembro, uma série de artigos publicados na revista Nature revelou descobertas surpreendentes a respeito do cérebro de uma mosca-das-frutas. O cérebro desses pequenos insetos, menores do que uma semente de papoula, é um verdadeiro enigma em termos de complexidade.

Mais de 140 mil neurônios estão conectados por 490 pés de fiação, equivalente ao comprimento de quatro baleias-azuis alinhadas. Essas conexões foram minuciosamente mapeadas por centenas de cientistas, um feito inédito que promete revolucionar os estudos sobre o sistema nervoso da espécie Drosophila melanogaster.

O neurobiólogo Mala Murthy, da Universidade de Princeton, descreveu o novo mapa como “a primeira vez que temos um completo de qualquer cérebro complexo”. Anteriormente, apenas um pequeno verme havia tido seu cérebro totalmente reconstruído, com um número muito menor de neurônios.

Essa descoberta pode fornecer insights valiosos sobre como os sinais sensoriais fluem pelo cérebro e geram comandos. Em um dos estudos, os pesquisadores criaram uma simulação de computador do cérebro completo da mosca, que reagiu a estímulos simulados como se estivesse esticando a língua ao sentir gostos.

O futuro da pesquisa também parece promissor, com a possibilidade de aplicar essas descobertas em outras espécies, incluindo os seres humanos. Sebastian Seung, outro líder do projeto em Princeton, mencionou que ideias antes consideradas ficção científica, como o “upload da mente”, estão se tornando realidade, pelo menos no que diz respeito às moscas.

O intenso trabalho de mapeamento começou em 2013, quando os cientistas mergulharam o cérebro de uma mosca adulta em um banho químico para endurecê-lo e posteriormente tirar fotos extremamente detalhadas. O resultado foi um mapa com mais de 7 mil seções e cerca de 21 milhões de fotos, que exigiram anos de esforço para serem interpretadas e corrigidas.

O próximo passo é expandir esses estudos para o cérebro de um rato, que contém mil vezes mais neurônios do que o da mosca. Murthy e seus colegas esperam descobrir regras fundamentais para cérebros complexos, além de reconhecer as possíveis diferenças entre cérebros de diferentes tamanhos.

Essas novas pesquisas prometem revolucionar nossa compreensão sobre o funcionamento dos cérebros e abrir caminho para avanços extraordinários no campo da neurociência.

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