Transporte nas eleições municipais: tarifa zero e eletrificação da frota em debate
No cenário das eleições municipais, o transporte tem sido um tema amplamente discutido. Nas últimas duas eleições, a questão do subsídio ao transporte público ganhou destaque. Em 2020, o foco foi o tamanho do subsídio, enquanto em 2024, as propostas de tarifa zero e eletrificação da frota estão no centro das discussões.
A proposta de tarifa zero tem se mostrado politicamente atrativa. Os mais pobres teriam uma redução significativa nos gastos, enquanto os mais ricos, muitas vezes não usuários do transporte público, poderiam apoiar a medida como um gesto de solidariedade. Além disso, as empresas teriam uma diminuição nos custos com transporte de funcionários. Essa proposta consegue atrair apoio de diversos setores, o que pode se refletir em votos para os candidatos que a defendem.
Em cem municípios do Brasil onde a tarifa zero foi implementada, é interessante notar que os governantes representam diversas posições ideológicas, indo da direita à esquerda. Isso demonstra que há justificativas ideológicas tanto para a transferência das atividades para o setor privado (posição mais à direita) quanto para a transferência de renda dos mais ricos para os mais pobres (posição mais à esquerda).
Apesar do potencial benefício de atrair mais usuários para o transporte público com a tarifa zero, há questionamentos sobre a sua eficácia em reduzir o tráfego, já que medidas como a cobrança de taxa por congestionamento para automóveis poderiam ser mais eficazes nesse sentido. Além disso, a questão distributiva da tarifa zero levanta debate sobre a inclusão dos mais ricos, que também se beneficiariam da medida, enquanto alguns grupos mais pobres, que se deslocam a pé ou de bicicleta, ficariam de fora.
A discussão em torno da tarifa zero também envolve a questão do custo e do retorno para a população. O argumento de que a política “custa pouco” muitas vezes esconde um populismo fiscal, em que os beneficiários dos subsídios buscam manter seus privilégios. Isso acaba impactando no direcionamento dos recursos, priorizando o custeio em detrimento do investimento no setor de transporte.
Em meio a essas questões, a esperança é que o debate eleitoral ajude a focar nos problemas reais dos eleitores, buscando políticas que promovam o crescimento sustentável e atendam às necessidades da população, independentemente de ideologias partidárias.