Artigo: Mulher dopada pelo marido é humilhada por advogados de réus em julgamento na França
No tribunal de Avignon, na França, um caso chocante tem sido julgado e causado comoção em todo o mundo. Gisèle Pélicot, uma mulher de 72 anos que foi vítima de estupro por mais de uma década após ser dopada pelo próprio marido, enfrentou humilhações por parte dos advogados que representam os 51 acusados nesta quarta-feira (18).
Gisèle, que sofreu pelo menos 92 estupros entre 2011 e 2020, relatou que os advogados a acusaram de ser alcoólatra e cúmplice dos crimes. Emocionada, ela destacou que estava em estado de coma e que os vídeos comprovam sua vulnerabilidade, mesmo com peritos confirmando a situação. A vítima decidiu não ter um julgamento a portas fechadas, buscando encorajar outras mulheres a denunciarem agressores.
O caso ganhou grande visibilidade e tem gerado debates intensos sobre a violência contra a mulher. Manifestações em várias cidades francesas demonstraram apoio à Gisèle e repúdio aos réus, descritos por ela como “homens degenerados”. Ela afirmou que não há perdão para crimes desse nível.
Durante o julgamento, Dominique Pélicot, marido de Gisèle e principal réu, admitiu os crimes e pediu perdão, reconhecendo a gravidade de suas ações. Além dele, outros 50 homens são acusados de estupro de vulnerável e podem enfrentar penas de até 20 anos de prisão.
O uso de drogas para cometer agressões sexuais, conhecido como submissão química, tem sido debatido amplamente na França devido a este caso. Ativistas e associações pedem que os homens assumam sua responsabilidade na luta contra a violência de gênero e encerrem o silêncio em torno do tema.
O julgamento segue em curso, com tensões crescendo na audiência desta quarta-feira. As acusações contra os réus são graves e a Justiça busca esclarecer cada detalhe desse caso que chocou a sociedade francesa e despertou reflexões sobre a proteção e respeito às mulheres em todo o mundo.