Descobertas Revelam o Papel da Serotonina na Hipoglicemia Pós-Bariátrica
Um estudo recente realizado na Universidade Harvard, nos Estados Unidos, trouxe novas informações sobre a hipoglicemia pós-prandial, uma complicação frequente em pacientes submetidos à cirurgia bariátrica. A pesquisa apontou que a desregulação dos níveis de serotonina pode estar associada a esse tipo específico de hipoglicemia, abrindo caminho para possíveis tratamentos inovadores.
De acordo com os resultados divulgados no Journal of Clinical Investigation, até 30% dos pacientes submetidos à cirurgia bariátrica podem sofrer com a hipoglicemia pós-prandial, que se manifesta após as refeições e traz sintomas como sudorese, tremores e confusão mental. O estudo liderado pelo pesquisador Rafael Ferraz-Bannitz, com apoio da Fapesp e do Instituto Nacional de Saúde dos EUA, revelou que os níveis de serotonina desempenham um papel crucial nesse quadro clínico.
Bloqueio da Serotonina como Estratégia de Tratamento
Os experimentos realizados em camundongos demonstraram que a injeção de serotonina nos animais resultava em uma rápida queda nos níveis de glicose no sangue, reproduzindo os sintomas observados em pacientes com hipoglicemia pós-bariátrica. A análise do plasma dos camundongos indicou que a serotonina estimulava a secreção dos hormônios insulina e GLP-1, associados à regulação da glicemia após as refeições.
Diante desses resultados promissores, os pesquisadores testaram o uso de antagonistas de serotonina como uma possível estratégia terapêutica. A droga ketanserina, conhecida por bloquear os receptores de serotonina tipo 2, mostrou-se eficaz em impedir a hipoglicemia induzida pela serotonina nos camundongos, além de reduzir a secreção de insulina e GLP-1.
Perspectivas Futuras e Limitações do Estudo
O grupo de pesquisadores liderado por Mary-Elizabeth Patti pretende realizar novos estudos clínicos para validar a eficácia desse possível tratamento em pacientes com hipoglicemia pós-bariátrica. A descoberta do papel da serotonina nesse cenário clínico ainda suscita questões em aberto, como a influência de fatores como a microbiota intestinal e os ácidos biliares na regulação da serotonina.
Apesar das limitações do estudo, que não puderam analisar diretamente as células produtoras de serotonina nos pacientes, os pesquisadores estão otimistas em relação ao potencial terapêutico da regulação da serotonina para o tratamento da hipoglicemia pós-bariátrica. A continuidade das pesquisas e a realização de novos experimentos poderão esclarecer mais detalhes sobre essa condição clínica complexa.