Por enquanto, quem venceu o debate, marcado pelo baixo nível, foi a cadeira lançada pelo apresentador contra o ex-coach.
Totalmente desconhecida antes do evento, e sem nenhuma pretensão além de servir de apoio à candidata Marina Helena, ela ganhou as manchetes de praticamente todos os veículos de comunicação no Brasil e está estampada em alguns da América do Sul, dos Estados Unidos e da Europa. Tornou-se meme, gif, está no TikTok, no Instagram, no YouTube. Chamada de instrumento do fascismo por uns e de herói de São Paulo por outros, ela nunca mais será a mesma.
Ronilso Pacheco
Difícil dizer quem ganhou um debate tão fraco e, mais uma vez, transformado em vexame por Pablo Marçal, a partir de suas insistentes, e baixas, provocações à Datena. Seja lá o que foi dito, este será o “debate da cadeirada”.
Então, está muito mais fácil dizer que a população da cidade de São Paulo perdeu do que quem ganhou. Ainda assim, Tábata Amaral e Guilherme Boulos talvez tenham sido os mais propositivos.
Ricardo Nunes estava claramente na defensiva. A estratégia de persistentemente associar Boulos com liberação (e uso) das drogas, por vezes ficou fora do tom. Maria Helena continua parecendo perdida, sem carisma e articulando mal suas ideias, além de algumas ideias inviáveis para o cidadão comum. Mas a democracia perdeu muito hoje. É triste imaginar que um próximo debate possa ter uma audiência ainda maior, porque o principal atrativo se tornou por quanto tempo um candidato resistirá às profundezas abissais da bestialidade discursiva de Marçal até reagir violentamente.
Andreza Matais
Com um debate que terminou em pancadaria, o prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), venceu ao conseguir manter o tom de voz e o ar de serenidade mesmo trocando cotoveladas com seu principal oponente, Guilherme Boulos (PSOL). Nunes é daqueles que consegue agredir o adversário sem mexer um músculo do rosto, estilo que lhe garante vantagem nesse contexto.
A campanha do PSDB avalia que Datena pode ganhar impulso com a agressão. Numa sociedade intolerante e numa era do linchamento, a postura de Datena pode não ser vista por parte do eleitorado como algo reprovável.