Putin alerta sobre possibilidade de países da Otan serem arrastados para guerra
Em um dos comentários mais diretos e agressivos até o momento, Putin disse que tal medida arrastaria os países que fornecem mísseis de longo alcance a Kiev diretamente para a guerra, uma vez que os dados de segmentação por satélite e a programação real das trajetórias de voo dos mísseis teriam de ser feitos por militares da Otan, já que Kiev não tem capacidade para isso sozinha.
“Portanto, não se trata de permitir que o regime ucraniano ataque a Rússia com estas armas ou não. É uma questão de decidir se os países da Otan estão ou não diretamente envolvidos num conflito militar”, disse Putin à televisão estatal russa.
“Se essa decisão for tomada, significará nada menos do que o envolvimento direto dos países da Otan, dos Estados Unidos e dos países europeus na guerra na Ucrânia. Esta será a sua participação direta, e isto, claro, mudará significativamente a própria essência, a própria natureza do conflito.”
A Rússia se veria forçada a tomar o que Putin chamou de “decisões apropriadas” com base nas novas ameaças.
Ele não detalhou quais medidas poderiam ser tomadas, mas já mencionou no passado sobre fornecer armamento russo a inimigos do ocidente para atacar alvos no exterior e, em junho, falou da implantação de mísseis convencionais a uma distância de ataque dos Estados Unidos e seus aliados europeus.
Maior potência nuclear do mundo, a Rússia também está no processo de revisão de sua doutrina nuclear – as circunstâncias nas quais Moscou usaria armas nucleares – e Putin está sendo pressionado por aliados linha dura a alterá-la para declarar a vontade da Rússia de utilizar armas nucleares contra países que “apoiam a agressão da Otan na Ucrânia”.