Missão Polaris Dawn da SpaceX faz história ao levar civis para caminhar no espaço
A missão Polaris Dawn, da empresa espacial SpaceX de Elon Musk, realizou um feito histórico no dia 12 de agosto, ao possibilitar que civis realizassem uma caminhada no espaço. Essa jornada alcançou o ponto mais distante da Terra desde a Era Apollo, e não se limitou apenas ao aspecto de “turismo espacial”, mas também serviu como uma fonte valiosa de testes e estudos em diversas áreas da tecnologia espacial.
Um dos aspectos mais inovadores dessa missão foi o desenvolvimento de trajes espaciais avançados. Em um curto período de três anos de elaboração, a SpaceX criou seus próprios trajes espaciais, que foram testados com sucesso durante a missão Polaris Dawn. Esses trajes de Atividade Extra-Veicular (EVA) apresentam tecnologias como um visor HUD e novos tecidos de gerenciamento térmico, demonstrando um avanço significativo em relação aos modelos tradicionais.
O teste dos trajes durante a caminhada espacial mostrou-se promissor, com um dos tripulantes movimentando os braços para avaliar a eficiência das juntas do novo equipamento. Essas lições aprendidas serão fundamentais para o desenvolvimento de trajes espaciais para missões futuras, como aquelas com destino à Lua e Marte.
Outra inovação trazida pela missão Polaris Dawn foi o uso de tecnologia a laser para comunicação espacial. O sistema denominado “Plug and Plaser” permite a transmissão de dados entre satélites e espaçonaves por meio de feixes de luz, proporcionando uma comunicação mais rápida e confiável em comparação com as tecnologias tradicionais baseadas em radiofrequência. Embora a transmissão da caminhada espacial tenha enfrentado algumas interrupções, essa tecnologia promete revolucionar as comunicações espaciais, além de ter aplicações terrestres.
Além dos avanços tecnológicos, a missão Polaris Dawn também está contribuindo com pesquisas médicas para o programa de pesquisa humana da Nasa. Os quatro tripulantes estão realizando estudos sobre os efeitos da exposição ao espaço no corpo humano, incluindo a utilização de telemedicina, a avaliação de sintomas como enjoo espacial e lesões associadas à viagem, bem como o impacto da radiação espacial na saúde dos tripulantes.
Esses estudos são fundamentais para melhorar nossa compreensão dos desafios enfrentados por humanos em ambientes extraterrestres e podem contribuir para o desenvolvimento de medidas preventivas e terapêuticas mais eficazes. A equipe da missão está fornecendo dados detalhados sobre a saúde física e mental dos tripulantes, utilizando tecnologias avançadas para monitorar seus sinais vitais e comunicar-se com especialistas na Terra em tempo real.
Em resumo, a missão Polaris Dawn da SpaceX está marcando um novo capítulo na exploração espacial, combinando inovação tecnológica com pesquisas científicas de ponta. Essa jornada pioneira não apenas expande os limites do turismo espacial, mas também impulsiona o progresso da humanidade em direção a um futuro interplanetário cada vez mais próximo.
*Mariana Cury é estagiária sob supervisão de Bruno Romani