Pressão da base aliada e interlocutores da Presidência levam Múcio a apoiar recriação da Comissão da Verdade, com respaldo das Forças Armadas.

Múcio é informado sobre a retomada dos trabalhos da Comissão da Verdade

Múcio foi procurado por interlocutores da Presidência para ser avisado de que os trabalhos da Comissão da Verdade recomeçariam em breve. Em resposta, o ministro da Defesa afirmou que teria total apoio da Defesa e das Forças Armadas, em especial do Exército. Isso representa uma mudança de postura da corporação, que historicamente era mais reticente em relação ao tema, mas que agora segue novos rumos após o comando de Paiva, considerado um legalista.

No ano passado, a Defesa enviou um parecer positivo à Casa Civil pela recriação da Comissão da Verdade, uma demanda do ministro dos Direitos Humanos, Silvio Almeida. Surpreendentemente, a resistência vinha do próprio presidente Lula (PT), que não via razão em mexer no vespeiro, sob argumentos semelhantes aos dos militares antigamente. Lula chegou a vetar um ato do MDH que relembraria os 60 anos do golpe, em abril deste ano, por preferir evitar o tema.

Múcio sofria pressão de diferentes lados. Ministros como Rui Costa, Anielle Franco e Nísia Trindade eram a favor da retomada dos trabalhos, assim como a primeira-dama Janja da Silva. A causa não era muito afeita aos militares, e em eventos no Planalto com movimentos sociais, Múcio costumava ouvir questionamentos de parentes de vítimas da ditadura.

Paiva considera essa questão como “humanitária”, e dentro das forças, acredita-se que mexerá apenas com a reserva ou com os mortos, já que a maioria dos militares da época já se aposentaram ou faleceram, como o torturador Carlos Alberto Brilhante Ustra, homenageado por Bolsonaro e morto em 2015.

Essa decisão também deverá acalmar setores mais à esquerda do governo. Apoiadores têm reclamado que o presidente tem comparecido a muitos eventos militares e ignorado pautas mais ligadas a eles, como a Comissão da Verdade.

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