Decisão da FDA freia avanços da psicoterapia com MDMA e atrasa novos tratamentos em uma década.




Rejeição da FDA à Psicoterapia com MDMA para TEPT

Rejeição da FDA à Psicoterapia com MDMA para TEPT

No campo psicodélico, a agência norte-americana de fármacos, FDA, causou controvérsia ao rejeitar a psicoterapia com MDMA (ecstasy) para tratamento de transtorno de estresse pós-traumático (TEPT) no início do mês. Essa decisão impactou significativamente o desenvolvimento de novos tratamentos, retardando o progresso da área por possíveis anos, ou até mesmo uma década a mais.

A Lykos, empresa responsável pelo desenvolvimento da terapia, foi obrigada pela FDA a conduzir um terceiro teste clínico de fase 3, um processo que demandaria dezenas de milhões de dólares em investimentos. Com a falta de recursos para essa etapa, a empresa se viu forçada a demitir grande parte de sua equipe, incluindo o conselheiro Rick Doblin, fundador da Associação Multidisciplinar para Estudos Psicodélicos (Maps), entidade que originou a Lykos.

A rejeição da FDA também resultou no cancelamento de artigos científicos referentes aos testes clínicos com MDMA, o que gerou críticas e descontentamento por parte dos pesquisadores envolvidos. Doblin, em comunicado, destacou a importância das pesquisas realizadas ao longo de quatro décadas, que contribuíram para o ressurgimento do uso terapêutico de psicodélicos.

Embora a recusa da FDA tenha sido motivada por preocupações éticas e metodológicas, como a questão do duplo cegamento nos testes clínicos, a decisão trouxe à tona debates acalorados sobre a eficácia e segurança das terapias psicodélicas. Além disso, houve críticas em relação à expectativa de resultados positivos entre pacientes e terapeutas, o que poderia influenciar os dados apresentados nos estudos.

O renomado cientista psicodélico Robin Carhart-Harris questionou a postura da FDA em um artigo de opinião, ressaltando a importância de se considerar a complexidade dos efeitos terapêuticos dos psicodélicos. Por outro lado, surgiram divergências internas em organizações ligadas ao movimento psicodélico, evidenciando a necessidade de se debater de forma ampla e transparente as questões éticas e práticas envolvidas nesse campo de estudo.

O futuro da psicoterapia com MDMA e outros psicodélicos permanece incerto, mas a rejeição da FDA certamente terá impactos significativos no desenvolvimento e na regulamentação dessas terapias inovadoras.

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