Convenção Democrata em Chicago: a sombra de 1968 e os desafios de Joe Biden em 2023.






Análise dos Eventos na Convenção Democrata de Chicago em 2023

Análise dos Eventos na Convenção Democrata de Chicago em 2023

No último dia 19 de abril, a cidade de Chicago, em Illinois, foi escolhida por Joe Biden para sediar a convenção do Partido Democrata. Essa decisão estratégica visava consolidar o apoio da região do Meio Oeste, reconhecida por sua importância na configuração da “parede azul” de votos democratas.

A expectativa era de uma consagração para o presidente na convenção que se inicia nesta segunda-feira. No entanto, eventos inesperados, como o ataque do Hamas a Israel e a violenta resposta de Binyamin Netanyahu, trouxeram à tona memórias do passado, fazendo ressurgir associações com a turbulenta convenção de 1968 em Chicago.

Em 1968, a violência dos protestos contra a participação dos EUA na Guerra do Vietnã durante a convenção democrata resultou em cenas de caos e confrontos, contribuindo para a derrota do candidato Hubert Humphrey e favorecendo a eleição de Richard Nixon, do Partido Republicano.

É fundamental não simplificar a comparação entre os eventos de 2023 e 1968. Na década de 1960, o contexto da Guerra do Vietnã polarizava a sociedade americana de forma intensa, com meio milhão de soldados no conflito. Atualmente, a população não enfrenta ameaças diretas à vida em guerras extenuantes como Ucrânia ou Gaza, mas a revolta diante da tragédia humanitária em Gaza desencadeou protestos significativos.

Kamala x Trump

Paralelamente à convenção, uma coalizão denominada March on the DNC planeja manifestações pró-palestinas em Chicago. O impasse com a prefeitura sobre questões logísticas revela a tensão entre a liberdade de expressão e a manutenção da ordem.

Em um contexto marcado por eventos históricos polarizantes, como a Ofensiva do Tet em 1968, e o assassinato de figuras emblemáticas como Martin Luther King Jr. e Robert Kennedy, as manifestações atuais refletem discordâncias sobre a política externa e a resposta a crises internacionais.

A divisão entre a esquerda e os líderes políticos convencionais, manifestada em 1968, gerou mudanças significativas na forma como o Partido Democrata seleciona seus candidatos. A resistência atual dos manifestantes não visa necessariamente o poder, mas sim uma renovação política que questione decisões controversas e promova mudanças.

Nesse contexto, a incógnita é se Donald Trump terá um impacto tão profundo no eleitorado quanto Richard Nixon em 1968.


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