“O Diabo na Rua no Meio do Redemunho”: A audaciosa adaptação cinematográfica de uma obra-prima de Guimarães Rosa desafia diretores brasileiros.






Artigo sobre “Grande Sertão: Veredas”

Explorando as Novas Adaptações da Obra “Grande Sertão: Veredas”

No ensaio “Tese e Antítese”, o crítico Antonio Candido descreveu a obra-prima de Guimarães Rosa, ‘Grande Sertão: Veredas’, como um trabalho impecável e poderoso em todos os seus aspectos. Diante de tamanha grandiosidade da obra literária, é natural questionar quem teria a audácia de adaptá-la para o cinema.

Recentemente, os cinemas receberam duas produções que se propuseram a encarar esse desafio. Em junho, Guel Arraes apresentou sua visão da obra, seguido pelo lançamento de “O Diabo na Rua no Meio do Redemunho”, dirigido por Bia Lessa.

Bia Lessa, que já trabalhou em diversas áreas da cultura, desde teatro até exposições, decidiu embarcar nesse projeto ousado. A cineasta, durante o Festival de Tiradentes, destacou a complexidade de transformar o livro de 1956 em uma produção cinematográfica.

Mais de uma década de envolvimento com a obra de Guimarães Rosa, Lessa passou por exposições, montagens teatrais e finalmente chegou ao cinema com “Diabo na Rua”. O filme foi gravado em apenas 17 dias, o que gerou uma tensão intensa para a equipe.

Diferente de uma adaptação convencional, Lessa prefere o termo “transcriação” para descrever seu trabalho. A liberdade criativa foi essencial para trazer à vida os personagens de Diadorim, Riobaldo e outros jagunços de forma única e original.

As escolhas estéticas de Lessa se diferenciam das de Guel Arraes, que ambientou sua versão do ‘Grande Sertão’ em uma comunidade periférica nos dias atuais. Já Lessa optou por filmar em um estúdio em São Paulo, criando uma atmosfera mais minimalista e sóbria.

Ambos os filmes apresentam abordagens inovadoras para a obra de Guimarães Rosa, mostrando que a ‘Grande Sertão: Veredas’ continua a desafiar artistas e espectadores, inspirando reflexões sobre a vida e a humanidade.

“É uma obra que estabelece um outro valor para a humanidade. O que significa estar na vida?”, questiona Lessa sobre a importância contínua do romance em nosso mundo contemporâneo.

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