No entanto, a resistência indígena sempre foi latente, mesmo diante do silenciamento imposto. A poetisa Sony Ferseck, pertencente ao povo Makuxi, destacou a importância de potencializar as vozes indígenas e reafirmar a resistência ancestral. Em um debate realizado durante a Festa Literária Internacional do Pelourinho (Flipelô), em Salvador, Sony Ferseck e o escritor indígena Edson Kayapó discutiram as narrativas literárias indígenas e a necessidade de romper com estereótipos e representações coloniais.
Edson Kayapó criticou a visão romantizada de José de Alencar, que retratava os indígenas de forma passiva e subserviente, contribuindo para a perpetuação de estereótipos nocivos. Ele ressaltou a importância dos escritores indígenas como porta-vozes de memórias silenciadas, resgatando histórias ancestrais e combatendo a necropolítica que tem levado ao genocídio e à destruição de comunidades indígenas.
Apesar dos avanços na inclusão da literatura indígena, ainda persiste um apagamento sistemático dessas narrativas nas escolas e instituições. As editoras enfrentam resistência em publicar obras indígenas, levando a poetisa Sony Ferseck a fundar a Wei, uma editora independente especializada em autores indígenas. A resistência e a luta pela preservação das vozes indígenas se manifestam tanto na produção literária quanto na educação, onde a presença indígena ainda é limitada.
A Flipelô, que ocorre até 11 de agosto, traz à tona essas discussões essenciais sobre a literatura indígena e a importância de valorizar e amplificar as vozes ancestrais. É fundamental reconhecer a diversidade cultural e promover um diálogo respeitoso e inclusivo, garantindo a preservação e difusão das narrativas indígenas para as futuras gerações.