A secretária-geral do CNJ (Conselho Nacional de Justiça), Adriana Cruz, em entrevista exclusiva, afirmou que o programa de bolsas de estudos criado pelo órgão para incentivar a participação de negros e indígenas em concursos para juízes é uma política disrupitiva. Segundo Cruz, essa iniciativa tem o potencial de levar o debate sobre cotas raciais a outro patamar no país.
O Programa de Ação Afirmativa para Ingresso na Magistratura, liderado pelo presidente do CNJ, Luís Roberto Barroso, já angariou cerca de R$ 5 milhões de empresas interessadas em colaborar. Recentemente, um segundo edital foi lançado para atrair novas pessoas jurídicas interessadas em contribuir com o projeto.
Empresas como Itaú, Globo, Ifood, Cosan e Ambev estão entre os doadores na primeira etapa de captação de recursos. Outras grandes empresas, como Rede D’Or e Hapvida, também estão se preparando para aderir ao programa, com uma proposta de doação de R$ 600 mil já em discussão.
O Diagnóstico Étnico-Racial do Poder Judiciário, divulgado pelo CNJ no ano passado, revelou que apenas 1,7% dos magistrados se autodeclaram pretos, enquanto 12,8% são pardos e 83,8% são brancos.
Adriana Cruz enfatizou que a política das bolsas demanda critérios específicos para a seleção dos beneficiados, considerando que muitos dos candidatos já estão inseridos no mercado de trabalho e não vivem em extrema vulnerabilidade econômica. A ideia é oferecer uma ajuda de custo de R$ 3.000 para cem bolsistas durante dois anos, com possibilidade de ampliação do prazo e número de beneficiados conforme a arrecadação de recursos.
Além disso, o programa conta com a gestão da FGV e visa trazer uma abordagem diferenciada para reduzir as diferenças de acesso e oportunidades no Judiciário. A secretária-geral do CNJ ressaltou que essa política inovadora proposta pelo ministro Barroso rompe com lógicas simplistas e traz elementos complexos para enfrentar desafios estruturais profundamente enraizados no setor.
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A cantora Alice Caymmi lançará a versão deluxe do álbum “Rainha dos Raios, a Fúria” em 15 de agosto, seguido por uma temporada de shows no Teatro Oficina, em São Paulo, dirigidos por Paulo Borges.
com BIANKA VIEIRA, KARINA MATIAS e MANOELLA SMITH