Os dados destacam os desafios enfrentados pelo mercado de carbono voluntário, que apesar de ter passado por um crescimento expressivo, ainda precisa superar obstáculos para manter sua credibilidade e sustentabilidade a longo prazo. Um dos principais pontos de atenção é a necessidade de garantir que os créditos de carbono representem reduções reais, adicionais e permanentes nas emissões de gases de efeito estufa.
O estudo aponta que, apesar da existência de oferta no mercado de carbono, há dificuldades em assegurar que os créditos adquiridos pelas empresas realmente contribuam para a redução das emissões. A falta de orientação sobre o uso correto dos créditos e a transparência nos arranjos do mercado voluntário são questões que precisam ser endereçadas para fortalecer a confiança no sistema.
Em relação à distribuição dos projetos, as regiões Norte e Nordeste concentram a maioria das iniciativas, seguidas pelo Centro-Oeste, Sudeste e Sul. O estudo também revela uma mudança na participação dos créditos de energia renovável e projetos relacionados à floresta e uso da terra. Enquanto em 2021 a maior parte dos créditos estava ligada a projetos florestais, em 2023 observou-se um aumento na participação dos créditos de energia renovável.
Além disso, houve uma alteração nos estados que mais emitiram créditos de carbono nos últimos anos, com Mato Grosso, Amapá e Acre cedendo espaço para Goiás, Rondônia, Rio Grande do Sul, Piauí, Santa Catarina, Minas Gerais e Maranhão. A pesquisadora Fernanda Valente ressalta a importância da padronização e transparência no processo de emissão e verificação dos créditos para garantir a confiabilidade do mercado de carbono.