O Vampiro de Curitiba e a Bíblia Almeida
No Brasil, os evangélicos têm como tradição a utilização da tradução da Bíblia feita por João Ferreira de Almeida, um português convertido ao Protestantismo no século XVII. Essa versão da Bíblia é amplamente difundida entre os fiéis, tornando-se uma referência para muitos.
O “Vampiro de Curitiba”, Dalton Trevisan, completou 99 anos em 14 de junho e é conhecido por sua reclusão e mistério. Autor do livro de mesmo nome, publicado em 1965, Trevisan é avesso a entrevistas e não permite ser fotografado, o que contribui para a aura enigmática que o cerca.
Para muitos leitores, a obra de Trevisan apresenta semelhanças intrigantes com passagens bíblicas da tradução de Almeida. Frases e elementos presentes nos contos do Vampiro remetem a versículos bíblicos, como a citação de “olhai os lírios do campo” em Mateus 6.28.
As histórias de Dalton Trevisan abordam temas controversos como luxúria, violência e abandono, dialogando de certa forma com as narrativas bíblicas que também exploram essas questões de forma crua e direta.
Embora recluso, Trevisan já deu indícios de sua inspiração na Bíblia de Almeida ao mencionar seu estilo linguístico. Entretanto, o autor mantém seu mistério e sua singularidade, tornando-se um enigma literário que intriga seus leitores.
Ao refletir sobre a influência da Bíblia Almeida em seus contos, levanta-se a questão se realmente há uma ligação profunda entre a obra do Vampiro de Curitiba e as escrituras sagradas. Aos 99 anos, Dalton Trevisan permanece como um enigma literário e um ícone da literatura brasileira.