Poder de compra do real completa 30 anos em queda: o desafio da inflação para o consumidor brasileiro.




Artigo – Desafios do Real

Na última segunda-feira (1º), o real completou 30 anos desde a sua criação. E, para muitos brasileiros, como Renata Moreira, de 47 anos, a sensação de ver o poder de compra do dinheiro diminuir a cada semana é uma realidade. Em uma rápida passagem pela feira do Largo do Machado, no Rio de Janeiro, Renata constata como R$ 100 que antes rendiam várias sacolas de compras agora se resumem a apenas uma, com um gasto de R$ 70 no hortifruti.

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Essa redução no poder de compra ao longo dos anos é um reflexo da inflação acumulada, que segundo o IBGE, atingiu 708,01% desde a criação do real em 1994. Isso significa que o valor de R$ 1 naquela época equivale a R$ 8,08 nos dias atuais, ou seja, é preciso gastar muito mais hoje para adquirir os mesmos produtos de três décadas atrás.

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Marina de Souza, 80 anos, outra frequente da feira do Largo do Machado, compartilha da mesma dor de ver os preços subirem gradualmente. Ela relata que itens que antes custavam muito menos agora consomem boa parte do orçamento. E ao longo do último ano, a situação parece ter piorado, conforme observado por ela.

No aniversário de 30 anos do real, a economia enfrenta desafios significativos, em meio a uma inflação global em ascensão. A professora Virene Matesco, da FGV, explica que diversos fatores como crises, mudanças climáticas e guerras têm pressionado a oferta de alimentos, resultando em preços mais altos.

Alexandre Espírito Santo, economista e professor, argumenta que o cenário de inflação pós-pandemia é complexo e desafiador para os Bancos Centrais ao redor do mundo. Ele menciona que o choque de oferta decorrente da quebra de cadeias produtivas ainda se faz presente, e o excesso de dinheiro injetado na economia também contribui para a continuidade desse cenário.

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Em relação à reposição do poder de compra, Leandro Horie, economista do Dieese, destaca a importância do crescimento econômico na valorização dos salários e na negociação de reajustes acima da inflação. Ele ressalta que, apesar dos desafios, a economia tende a se adaptar e encontrar equilíbrio ao longo do tempo.

Quanto às perspectivas futuras, a inflação iniciou o ano em desaceleração, mas recentemente voltou a subir devido a fatores como calamidades naturais e variações cambiais. Para os consumidores, como Lucas de Andrade, a realidade dos preços mais altos é evidente, especialmente quando comparada a outros países.

Em meio a todas essas oscilações econômicas, a população sente diretamente os impactos da inflação no seu dia a dia, refletindo a constante busca por adaptação e equilíbrio financeiro.

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