Na última quarta-feira, os líderes Vladimir Putin e Kim Jong Un firmaram um acordo que promete uma ampla cooperação em diversas áreas, como energia nuclear, exploração espacial, segurança alimentar e energética. Este acordo foi considerado uma das ações mais marcantes realizadas por Moscou na Ásia nos últimos anos, indicando uma aproximação entre Rússia e Coreia do Norte. Vale ressaltar que Putin também visitou a China recentemente, logo após iniciar seu quinto mandato como presidente.
Um dos pontos mais polêmicos desse acordo é o Artigo 4, que estabelece que, em caso de invasão armada contra um dos países signatários, o outro deve fornecer assistência militar imediatamente, em conformidade com a Carta da ONU e as leis internas de cada país. Tal cláusula remete ao direito de autodefesa previsto no Artigo 51 da Carta da ONU, possibilitando uma resposta conjunta frente a possíveis agressões.
Além disso, tanto Putin quanto Kim fizeram declarações públicas demonstrando que a parceria entre os dois países está diretamente ligada ao combate contra as políticas consideradas “hegemônicas e imperialistas” do Ocidente, com destaque para o apoio dos Estados Unidos à Ucrânia. Essa postura conjunta visa reforçar a soberania e a independência perante potências estrangeiras.
No entanto, o impacto desse acordo na relação entre Rússia e Ucrânia ainda é incerto. Desde o início da guerra em 2022, as tensões entre os dois países têm se intensificado, com acusações de comércio ilegal de armas. Autoridades ucranianas alegaram encontrar destroços de mísseis norte-coreanos em solo ucraniano, o que foi negado pelas partes envolvidas. O pacto entre Rússia e Coreia do Norte desperta preocupações em Washington e Seul, que veem com desconfiança a crescente colaboração militar entre os dois países.