Cenário político em São Paulo: Ricardo Nunes cede às pressões de Bolsonaro e Tarcísio na escolha da vice
Após meses de indefinição, o prefeito Ricardo Nunes (MDB) finalmente cedeu às pressões do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) e indicou o ex-coronel da Rota Ricardo Mello Araújo (PL) como seu vice na chapa pela reeleição.
Nunes se viu sem saída diante da pressão dos principais nomes políticos que o apoiam e, após uma série de reuniões e conversas, decidiu sacramentar a escolha do ex-coronel da Rota. Tarcísio viajará para Nova York, onde apresentará projetos a investidores, e retornará apenas no início de julho, restando assim pouco tempo para a definição da vice.
O nome de Mello Araújo havia sido sugerido ao prefeito pelo presidente do PL, Valdemar Costa Neto, no final de janeiro. Apesar de uma longa espera e de conversas com aliados e partidos da coligação, Nunes protelou a decisão, mantendo-se como o único candidato associado ao campo da direita.
A entrada do coach Pablo Marçal (PRTB) na corrida eleitoral trouxe um novo cenário, pois suas ideias alinhadas ao bolsonarismo ganharam espaço e ameaçaram a candidatura de Nunes. Com Marçal alcançando entre 7% e 9% nas pesquisas, o apoio de Bolsonaro e do PL se tornou essencial e Nunes se viu acuado.
O cientista político Bruno Silva aponta que a chegada de Marçal foi crucial para Bolsonaro impor um nome leal a ele na vice, o que forçou Nunes a acatar os interesses desse grupo. A pressão do entorno de Bolsonaro, acusando Nunes de traição, e a postura de Tarcísio cobrando agilidade na decisão, levaram o prefeito a recuar e aceitar a indicação de Mello Araújo.
Aliados de Nunes reconheceram a necessidade de não adiar mais a escolha, sob pena de perder apoio político crucial para a campanha pela reeleição. O governador Tarcísio, que anteriormente havia afirmado que a decisão caberia ao prefeito, mudou de postura e agora apoia o candidato indicado por Bolsonaro.
Cronologia do caso
29 de janeiro: Valdemar Costa Neto indica o nome de Ricardo Mello Araújo para vice, mas Tarcísio de Freitas afirma que a escolha é do prefeito.
29 de maio: Pablo Marçal cresce nas pesquisas e ameaça a candidatura de Nunes.
4 de junho: Marçal se encontra com Bolsonaro e afirma que não haveria apoio ao prefeito.
10 de junho: Tarcísio cobra rapidez na definição da vice.
14 de junho: Nunes se reúne com Tarcísio, Bolsonaro e Mello Araújo e marca jantar para selar a indicação.
Diante desse cenário de pressões e acordos políticos, Ricardo Nunes se vê obrigado a aceitar a indicação de Ricardo Mello Araújo como seu vice na corrida pela reeleição. Resta acompanhar os desdobramentos dessa decisão e como ela impactará a disputa eleitoral na capital paulista.