O dólar, Lula e Haddad
Os investidores iniciaram esta quinta-feira em meio a uma ressaca, após um dia de desvalorização para o Brasil no mercado global. O real em queda e as empresas despencando na Bolsa são reflexos desse cenário. O dólar chegou a R$ 5,40 e a Bolsa de Valores caiu 1,40%.
Por outro lado, nos Estados Unidos, as ações tiveram um dia positivo. O dólar enfraqueceu em relação a outras moedas fortes após a desaceleração da inflação nos EUA e a indicação do banco central do país de cortar os juros uma vez este ano.
Vários fatores, tanto externos quanto internos, são apontados como responsáveis pelo humor negativo nos mercados brasileiros desde abril. Há avaliações de que o Ministro da Fazenda, Fernando Haddad, está enfraquecendo e que o governo não demonstra disposição para realizar cortes de gastos visando equilibrar as contas.
Entenda as últimas movimentações:
– O Congresso rejeitou a medida provisória do governo que buscava R$ 26 bilhões para compensar o acordo de desoneração da folha de pagamento. A proposta enfrentou resistência para endurecer as regras de utilização de créditos obtidos com pagamentos de impostos como descontos em outros impostos.
– As contas precisam fechar este ano e o próximo no zero a zero, revertendo o déficit de 2023.
– Economistas alertam para os reajustes acima da inflação em pensões e benefícios, acompanhando a nova regra de alta do salário mínimo. Essa situação poderia exigir uma nova reforma da Previdência.
– Despesas com educação, saúde e pensões estão crescendo acima da inflação. Como o percentual ultrapassa os 2,5% permitidos para o total de gastos, há a compressão de outras despesas no orçamento.
– A flexibilização das regras poderia liberar R$ 131 bilhões para outros gastos nos próximos anos, mas há preocupações de que isso possa prejudicar o Sistema Único de Saúde (SUS) com uma perda de R$ 24 bilhões.
– Lula falou sobre a necessidade de arrumar as contas do governo, mas suas declarações foram interpretadas como defesa apenas do aumento de receita.