O ex-deputado Neri Geller, conhecido por sua atuação no setor agrícola, viu sua possível nomeação como ministro ser frustrada devido a pendências com a Justiça Eleitoral. Em 2022, Geller teve seu mandato cassado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) por irregularidades na prestação de contas de sua campanha em 2018. Após um período no governo, ele finalmente assumiu a secretaria de Política Agrícola, consolidando sua influência no setor.
Fontes ligadas ao setor agrícola revelaram que a insatisfação com o ministro Blairo Maggi aumentava, abrindo espaço para o nome de Geller ser cogitado para o cargo. A crítica dos exportadores à atuação do ministro em relação à polêmica “MP do fim do mundo” foi um dos fatores que impulsionou a possível nomeação de Geller. Para alguns deputados da frente parlamentar do agronegócio, faltava a Maggi maior empenho na defesa do setor dentro do governo.
A realização de um leilão de arroz pela Conab gerou controvérsias no setor. Apesar da justificativa de evitar impactos inflacionários, a proporção do leilão em relação à real necessidade de abastecimento levantou questionamentos. A velocidade e o tamanho do leilão alimentaram suspeitas de irregularidades.
Os desdobramentos do leilão revelaram que, das empresas vencedoras, apenas uma atuava no ramo agrícola, enquanto outras eram de segmentos diversos como sorveterias e locadoras de máquinas. A presença de uma corretora ligada a um ex-assessor de Geller levantou ainda mais questionamentos sobre a lisura do processo.
Segundo informações do portal especializado The AgriBiz, um dos sócios da corretora é Robson Almeida de França, que já trabalhou com Geller enquanto este era deputado, além de ser sócio de seu filho, Marcello Geller. Essas conexões reforçam a suspeita de favorecimento e falta de transparência no leilão de arroz promovido pelo governo.