Delator detalha dificuldades e mudanças de estratégia para execução de Marielle Franco e Anderson Gomes





O atirador lembrou que a área onde ela morava era de difícil acesso. “Não tem como parar, é o cruzamento, 32 tem policiais andando na calçada, pois ali existe um policiamento na calçada, então quer dizer, era um lugar difícil de monitorar”, disse.

Ronnie Lessa explicou o prédio não tinha estacionamento, por isso, a vereadora não guardava o carro no local. “A pessoa que mora naquele prédio não tem como guardar o carro ali, ou ela tem um carro guardado em uma garagem, ou estacionamento qualquer longe dali, ou não tem carro. Então isso acabou tornando a coisa um pouco difícil. Se tornou difícil porque não dava para parar. O único lugar que poderia parar tinha um policial parado de serviço”.

Na delação, Lessa detalhou que diante das dificuldades, ele e Macalé passaram a monitorar outros locais para o crime. “Levou com que a gente procurasse outros meios, quais seriam outros meios, procurar a vida dela em si, nós tínhamos a informação de um bar que ela frequentava, nós conseguimos, localizar esse bar, que é na Praça da Bandeira, ali próximo, só que também outro lugar de difícil. Ou você tá no bar ou ficava fazendo o quarteirão; realmente, era uma missão que se tornou difícil, estava se tornando inviável”.

Em dezembro de 2017, Lessa disse que a dupla estava “cansada” das tentativas falhas. Eles decidiram procurar os mandantes do crime. “A gente não chegava a lugar nenhum, a gente estava rodando em círculos, em vão, então nós fomos até os mandantes e propusemos que fosse mudada a estratégia que tinha sido montada”.

Marielle e Anderson foram mortos na saída dela de um evento na Casa das Pretas, na Lapa, bairro do Rio de Janeiro. O crime ocorreu em março de 2018.

Nesta sexta-feira (7), o ministro Alexandre de Moraes, do STF, retirou o sigilo da delação de Ronnie Lessa. Moraes também autorizou a transferência dele para Tremembé, no interior de São Paulo.


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