Preocupações com doenças de outono em 2024
Em 2024, o outono no Brasil apresenta um cenário atípico, com temperaturas mais quentes e secas do que o habitual. Essa mudança tem impactado o calendário de vestuário dos brasileiros, atrasando a utilização dos casacos. No entanto, a chegada iminente de uma onda de frio em dez estados do país, conforme apontado pelo Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia), traz de volta a preocupação com as tradicionais doenças típicas dessa estação.
O médico infectologista Julio Croda, pesquisador da Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz), destaca que devido ao tamanho continental do Brasil, diferentes regiões enfrentam diversos riscos. Ele alerta para o aumento de doenças causadas por vírus respiratórios, sendo o VSR (vírus sincicial respiratório) responsável por 56% dos resultados positivos para vírus respiratórios no país, segundo o boletim InfoGripe da Fiocruz.
O VSR é conhecido por causar infecções respiratórias em bebês e crianças, podendo sobrecarregar o sistema de saúde, especialmente quando associado a outros vírus respiratórios. Renato Kfouri, presidente do Departamento de Imunizações da SBP (Sociedade Brasileira de Pediatria), destaca a importância de identificar sintomas como febre alta, mal-estar persistente e crises respiratórias agudas para procurar assistência médica quando necessário.
Campanhas de vacinação
A vacinação contra a gripe, que abrange os vírus Influenza A e B, já está em andamento em São Paulo para os grupos prioritários, com previsão de término em maio. Além disso, desde maio a capital paulista disponibiliza a vacina contra a Covid-19 da Moderna para crianças, gestantes, idosos e outros grupos.
Cuidados essenciais
O médico Croda ressalta a importância de medidas básicas de prevenção, como permanecer em casa em caso de sintomas, higienizar as mãos, usar máscara e manter-se hidratado. Ele alerta para a necessidade de revisão das capacidades hospitalares pelas prefeituras nesse período, considerando a possível elevação de casos de dengue e doenças respiratórias.
É recomendado que pessoas com alergias respiratórias como rinite, sinusite e bronquite também estejam atentas às mudanças climáticas, que podem exacerbar os sintomas. Kfouri destaca a importância da higiene dos ambientes e do tratamento médico para controlar essas condições, que podem surgir em conjunto com infecções virais.
Em meio a essas preocupações, as mudanças climáticas também são apontadas como um fator que intensifica epidemias de doenças transmitidas por mosquitos, como a dengue, que podem ocorrer fora do período tradicional de verão. Kfouri destaca que a pandemia alterou os ciclos das doenças ao longo do ano, gerando epidemias fora de época e ampliando os impactos das enfermidades.
Hábitos para combater doenças respiratórias
- Manter o calendário vacinal em dia, incluindo vacinas contra gripe, Covid-19 e dengue (se aplicável)
- Ambientes arejados e higienizados
- Prática regular de atividades físicas
- Boa hidratação e alimentação saudável
- Qualidade do sono e descanso adequado