O responsável pela adaptação do texto para libras e visual vernacular foi Venício Fonseca, fundador do grupo Moitará e diretor do espetáculo. O Moitará explora a relação da libras com a linguagem da máscara teatral, tema de pesquisa do grupo há mais de três décadas. A peça faz parte de uma trilogia sobre a temática do feminino, sendo o segundo espetáculo trabalhado pelo grupo.
Durante a pandemia, o Grupo Moitará decidiu montar o espetáculo “A Busca” incluindo o que eles chamam de “acessibilidade de qualidade”, trazendo um intérprete de língua de sinais para somar à presença da libras. A linguagem artística utilizada pela comunidade surda, conhecida como visual vernacular, foi explorada para trabalhar com sensações e permitir que o público construa sua própria interpretação da história.
Com um elenco composto por Erika Rettl, Jhonatas Narciso e Venício Fonseca, o espetáculo foi contemplado pelo Edital de Chamada Emergencial de Apoio ao Teatro Evoé RJ e conta com apoio do Ministério da Cultura e do governo do estado do Rio de Janeiro. Os ingressos são trocados por um quilo de alimentos não perecíveis, que serão doados para instituições beneficentes e para vítimas das enchentes no Rio Grande do Sul.
A dimensão da acessibilidade cultural ganha destaque com a inclusão social dos surdos, que representam quase 5% da população brasileira. No estado do Rio de Janeiro, estima-se que haja cerca de 165 mil pessoas surdas. O espetáculo segue em cartaz no espaço cultural Moitará, localizado na Rua Joaquim Silva, 56, na Lapa, até o próximo domingo.