Segundo o relatório, a porcentagem de água considerada ruim diminuiu de 16,2% para 12,1%, enquanto aquelas classificadas como péssimas aumentaram de 1,9% para 2,9%. No total, 15% das amostras foram consideradas de qualidade ruim ou péssima, o que representa uma redução em relação ao ano anterior. A maioria das amostras, 77% do total, foi classificada como regular, um aumento de dois pontos percentuais em comparação com o ano anterior.
O estudo, intitulado O Retrato da Qualidade da Água nas Bacias Hidrográficas da Mata Atlântica, teve seus resultados divulgados no Dia Mundial da Água. Realizado pelo programa Observando os Rios da SOS Mata Atlântica, o levantamento contou com a participação de aproximadamente 2,7 mil voluntários, que realizaram 1.101 análises em 174 pontos de 129 rios e corpos d’água em 80 municípios de 16 estados da Mata Atlântica.
O coordenador do programa Observando os Rios, Gustavo Veronesi, destacou a importância de políticas públicas efetivas, principalmente relacionadas à coleta e tratamento de esgoto, para melhorar a qualidade das águas dos rios. O estudo também identificou alguns pontos de melhoria, como os rios Mamanguape, em Paraíba, e Curral, em Ilhabela, que passaram de condição regular para boa.
Apesar dos avanços em alguns pontos, a necessidade de preservar as matas ciliares, evitar o uso excessivo de agrotóxicos e garantir o tratamento adequado de esgoto são fundamentais para a recuperação da qualidade da água nos rios da Mata Atlântica. A proteção das nascentes e a aplicação das leis de proteção ambiental também são essenciais para manter e melhorar a qualidade da água na região.
Em um cenário de emergência climática, a atenção dos gestores públicos e da sociedade é fundamental para garantir a preservação dos recursos hídricos. A qualidade regular da água, presente em 77% dos pontos analisados, deve servir como um alerta para a necessidade de medidas efetivas de conservação e monitoramento dos rios da Mata Atlântica. A água limpa é um direito humano, e é importante garantir esse acesso a toda a população, de acordo com a SOS Mata Atlântica.