Medicamento de alto custo para neuroblastoma pode ser incorporado ao SUS, beneficiando crianças com tumor maligno.

Famílias de crianças com neuroblastoma podem ter esperanças renovadas com a submissão do medicamento betadinutuximabe, conhecido comercialmente como Qarziba, à avaliação da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec). O laboratório farmacêutico Recordati anunciou que submeteu o remédio à Conitec e, se aprovado, o medicamento passará a atender crianças com neuroblastoma, um tipo de tumor maligno que afeta principalmente crianças.

O procedimento de avaliação pela Conitec tem o prazo de 180 dias, prorrogáveis por mais 90 dias, para análise da proposta. O neuroblastoma é o terceiro tipo de câncer infantil mais recorrente e representa de 8% a 10% de todos os tumores infantis, com uma estimativa de 387 novos casos surgindo no Brasil por ano, sendo pelo menos metade classificados como neuroblastoma de alto risco (HRNB).

A empresa farmacêutica argumenta que o medicamento é recomendado para neuroblastoma de alto risco por agências internacionais de avaliação de tecnologias de saúde de diversos países, tais como Reino Unido, Escócia, Irlanda, Bélgica, Suécia, Polônia, Austrália, Taiwan e Hong Kong. No Brasil, a Anvisa autorizou o uso do medicamento em 2021, porém, sem a aprovação da Conitec, o tratamento só é possível na rede privada.

O Qarziba é indicado para pacientes a partir de 12 meses, que já foram tratados com quimioterapia de indução e que tenham alcançado pelo menos uma resposta parcial, seguida de terapêutica mieloablativa e transplante de células tronco, bem como em pacientes com história de recidiva ou neuroblastoma refratário, com ou sem doença residual. A empresa defende que o medicamento foi utilizado em estudos clínicos desde 2009 em mais de mil pacientes em 18 países.

No entanto, famílias têm relatado dificuldades no acesso a medicamentos de alto custo, sendo necessário recorrer a vaquinhas online para conseguir arrecadar recursos, já que o pedido a planos de saúde ou à rede pública por meio da Justiça é demorado. O Ministério da Saúde se manifestou afirmando que acompanha e apoia as pesquisas e os avanços tecnológicos para tratamentos que podem ser incorporados ao SUS, estando pronto para iniciar o processo de avaliação assim que a empresa solicitar a incorporação.

Apesar das dificuldades enfrentadas pelas famílias, a submissão do betadinutuximabe à avaliação da Conitec representa uma esperança para crianças com neuroblastoma e suas famílias, que lutam diariamente por acesso a tratamentos que possam salvar vidas. A aprovação do medicamento pelo sistema público representaria um avanço significativo no tratamento e melhoria da qualidade de vida dessas crianças.

Sair da versão mobile