Imigrantes suíços no Brasil: Os desafios e histórias esquecidas de Nova Friburgo e a estratégia de povoamento na Região Sul






Imigração alemã no Brasil: um projeto que acabou no sul

Curioso que alguns desses eventos estavam diretamente ligados ao pastor. Em 17 de novembro de 1823, durante a travessia, a esposa dele, Charlotte, deu à luz a um menino saudável, Peter Leopold. No dia seguinte, contudo, ela morreu em decorrência de complicações do parto.

Sauerbronn desembarcou no Brasil com sete filhos pequenos para criar. O caçula Peter acabaria morrendo um mês depois, de disenteria. “Essa imigração para Nova Friburgo acabou sendo um pouco esquecida. Primeiro porque a imigração para o Rio Grande do Sul foi muito mais numerosa, segundo porque a terra onde eles foram colocados não era muito fértil, então foi difícil se manterem ali”, explica Moura.

Um projeto oficial de povoamento

Fato é que o Argus foi uma tentativa inicial de um projeto que depois acabaria adaptado para o sul do país, onde efetivamente funcionou. Em 1822, José Bonifácio (1763-1838), então ministro das Relações Exteriores, enviou um major para as cortes alemãs da Europa, encarregando-o de recrutar colonos.

“A ideia inicial era enviar os imigrantes para a Bahia ou Nova Friburgo, uma colônia suíça criada na serra fluminense em 1819”, diz Zimmermann. “Mas D. Pedro 1º e Bonifácio mudaram os planos: resolveram estrategicamente povoar a Região Sul. Assim, as levas seguintes de imigrantes foram enviadas para São Leopoldo, próximo de Porto Alegre.”

Os colonos eram, em sua maioria, artesãos ou trabalhadores rurais, gente que havia empobrecido em consequência da industrialização e das guerras napoleônicas. Formavam “um excedente populacional na Alemanha, que era procurado pelo Brasil recém-independente”, relata Zimmermann.

Fonte: baseado em informações do autor original.

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