Mas a realidade é que ritos não são e nunca foram atos que sacralizam o divino. Esses e tantos outros rituais de nossas vidas abrem um parêntese encantado no cotidiano anônimo.
Ao celebrar seus deuses e mitos, as comunidades no fundo estão celebrando a si mesmos.
Ritos são, no fundo, a celebração da relação com o outro. Sacralizam a convivência, essa habilidade fundamental que qualquer comunidade de destino terá de garantir para poder enfrentar desafios existenciais. Sem o convívio, perdemos a capacidade de fazer concessões, de escutar. Não estamos dispostos a abrir mão de nada. Atomizada, a sociedade aprofunda seus radicalismos, sua distância. Como pedir a paz mundial neste contexto?
O rito é o fio que segura as pedras preciosas de um colar. E não me refiro aqui apenas aos eventos oficiais do calendário político-religioso.
Gosto de pensar, por exemplo, que tenho um rito. Eu e um amigo alemão, Achim Wennmann, temos o hábito de nos encontrar a cada tantos meses no mesmo restaurante em Genebra. Pedimos o mesmo prato, o mesmo acompanhamento e o mesmo vinho. E fazemos isso há 24 anos. Como não classificar isso como um rito?
Uma outra amiga ainda foi além. Uma vez por ano, ela viaja ao Brasil e, durante algumas semanas, prolifera encontros com amigos da faculdade, irmãos e irmãs de coração, antigos e atuais afetos. Sua presença é ainda o motivo usado por aqueles do outro lado do oceano para justificar a organização de abraços coletivos.
Ritos: Celebrando a Relação com o Outro
Os ritos são uma parte essencial da vida humana, muito além de simples atos que sacralizam o divino. Esses rituais têm o poder de abrir um parêntese encantado no cotidiano anônimo das comunidades, e ao celebrar deuses e mitos, elas estão, no fundo, celebrando a si mesmas.
Segundo especialistas, os ritos são, no fundo, a celebração da relação com o outro. Eles sacralizam a convivência, fundamental para qualquer comunidade de destino enfrentar desafios existenciais. Sem o convívio, perdemos a capacidade de fazer concessões, de escutar. A sociedade atomizada aprofunda seus radicalismos e sua distância, e é difícil imaginar a construção de paz mundial nesse contexto.
Além dos eventos oficiais do calendário político-religioso, os ritos também podem estar presentes em hábitos pessoais, como encontrado em um exemplo de um grupo de amigos que se encontram regularmente em um restaurante na Suíça. Esse encontro, onde eles pedem o mesmo prato, acompanhamento e vinho há 24 anos, pode ser classificado como um rito que fortalece a relação entre eles.
Outro exemplo é uma amiga que, uma vez por ano, viaja ao Brasil para se reunir com amigos, irmãos de coração, e antigos afetos. Sua presença é motivo suficiente para justificar a organização de abraços coletivos, mostrando como os rituais podem fortalecer laços afetivos e comunitários.