O posicionamento da China
A possível suspensão do instrumento financeiro entre China e Argentina tem gerado questionamentos e incertezas. Entre os motivos que levam à essa possível suspensão estão as dúvidas do governo chinês em relação à política econômica do presidente argentino, Javier Milei, e como o país sul-americano lidará com o Banco Central argentino, instituição fundamental para o acordo em questão.
Durante sua campanha, Milei afirmou que “o fechamento do Banco Central não é uma questão negociável”, exacerbando as preocupações do governo chinês e levantando dúvidas sobre a estabilidade econômica da Argentina.
Victor Gao, professor catedrático da Universidade Soochow, destacou que um dos pré-requisitos cruciais para o sucesso do swap de moedas é a estabilidade geral das moedas envolvidas. Com a moeda argentina flutuando em mais de 50%, a viabilidade do acordo fica comprometida, afetando não apenas a economia argentina, mas também a confiança de outros países em negociar com a Argentina.
Além das incertezas econômicas, a questão de Taiwan entrou em cena, quando a chanceler do governo Milei, Diana Mondino, fez comentários sobre “direitos soberanos” de Taiwan durante uma reunião na Casa Rosada com o enviado especial chinês, Wu Weihua, fato que pode ter impactado negativamente a delegação chinesa.
Vale ressaltar que as relações entre China e Argentina vêm sendo afetadas pelas ideias “extraordinárias” do novo presidente argentino, segundo Victor Gao. Ele destacou que a eleição na Argentina é um assunto interno do país sul-americano, mas que algumas políticas do governo Milei podem prejudicar as relações sino-argentinas.
O futuro das relações China-Argentina
Em relação ao possível congelamento permanente do swap, Cernadas destacou que isso resultaria em uma redução no fluxo de moedas estrangeiras para a Argentina, o que prejudicaria as finanças do país, especialmente em um momento em que a Argentina acaba de liberalizar o comércio internacional e passou por uma seca que deve reduzir as exportações.
A esperança é de que a Argentina possa se recompor e se relacionar com o resto do mundo com dignidade e respeito mútuo, mas, nas palavras do professor Gao, “ninguém terá paciência suficiente para esperar que milagres aconteçam na Argentina”.