Crise e mudanças políticas na Argentina
A derrota do Juntos por el Cambio (JxC) abriu um cenário de crise dentro da coalizão. Os descontentamentos internos afloraram após a rápida adesão de membros do JxC ao candidato de extrema direita, Javier Milei, logo após a eleição. A decisão não consultada gerou fraturas ainda mais profundas dentro do JxC, com vários líderes se declarando publicamente contra a candidatura de Milei. Além disso, instituições e entidades de diferentes setores se manifestaram contra o candidato.
Nunca na história da Argentina tantas instituições se manifestaram em uma eleição, refletindo a intensa polarização da sociedade. A vitória de Milei consolidou as fraturas sociais do país, revelando sua profunda divisão. A expressão institucional contrastou com o comportamento social, levando a uma crise de representatividade sem precedentes.
Uma guinada reacionária
A vitória de Milei simboliza a ascensão de uma corrente global “antiprogressista”, integrada por líderes de extrema direita em diferentes países. A chegada do novo presidente transforma a Argentina em um bastião desse movimento, surpreendendo em um país onde a irrupção da extrema direita parecia improvável.
Milei, em seu discurso de posse, deixou claro seu propósito de promover mudanças “revolucionárias”, desafiando a “casta política” estabelecida. Sua abordagem maximalista e a formação de um gabinete diversificado evidenciam sua intenção de não depender das estruturas institucionais tradicionais.
As primeiras medidas econômicas de Milei, incluindo um pacote de austeridade e um severo protocolo para reprimir protestos, indicam uma postura combativa e polêmica. O governo também anunciou um ambicioso Decreto de Necessidade e Urgência visando modificar centenas de leis sem passar pelo Congresso, sinalizando uma reforma radical.
As medidas geraram forte repúdio e mobilização por parte de centrais sindicais e movimentos sociais, que veem as conquistas de direitos históricos em risco. O cenário político da Argentina enfrenta desafios monumentais diante da polarização, da resistência popular e da busca por mudanças profundas.
Com um 2024 incerto, o país aguarda os desdobramentos dessas transformações e lutas políticas.