Coniacc e Sobope desenvolvem projeto para mapear atendimento do câncer infantojuvenil em todo o Brasil.

O câncer infantil é uma realidade preocupante no Brasil. Segundo estimativa do Instituto Nacional do Câncer (Inca), a doença é a segunda principal causa de morte entre pessoas de 1 a 19 anos no país. Para cada ano do triênio 2023/2025, são esperados 7.930 novos casos de crianças e adolescentes com câncer.

Diante dessa situação alarmante, a Confederação Nacional de Instituições de Apoio e Assistência à Criança e ao Adolescente com Câncer (Coniacc) e a Sociedade Brasileira de Oncologia Pediátrica (Sobope) uniram forças para criar o projeto de Mapeamento Nacional das Instituições de Assistência às Crianças e aos Adolescentes com Câncer. O objetivo é mapear a situação do atendimento do câncer infantojuvenil em todo o país, com o apoio do Ministério da Saúde e de outras instituições que trabalham nesse campo.

A médica oncologista pediátrica e coordenadora do ‘Molecular Tumor Board’ da Sobope, Carolina Camargo Vince, explicou que o projeto planeja mapear todas as instituições que tratam crianças e adolescentes com câncer no Brasil, incluindo aquelas que não são habilitadas pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Ela ressaltou a importância de entender por que algumas instituições não são habilitadas e como elas podem ser ajudadas, especialmente nas regiões Norte e Nordeste, que carecem de serviços especializados.

O mapeamento envolverá questionários e visitas às instituições, com o objetivo de identificar pontos de fragilidade e necessidade de melhorias. Além disso, a iniciativa pretende compreender as características e a qualidade do trabalho das instituições de apoio, visando uma atuação mais efetiva em prol das crianças e adolescentes com câncer.

O projeto, que tem previsão de divulgação dos resultados no segundo semestre do ano que vem, surge em um contexto global de busca por melhorias no tratamento do câncer infantil. Segundo a médica Carolina Vince, a desigualdade na taxa de cura do câncer infantil entre países de alta e baixa renda é significativa, e entender o que está acontecendo é fundamental para promover mudanças efetivas.

Além disso, a importância do diagnóstico precoce do câncer infantil foi ressaltada. A Lei Federal 13.869, que assegura a realização de exames diagnósticos do câncer em até 30 dias aos pacientes do SUS, é um avanço significativo nesse sentido, considerando a urgência do tratamento para as crianças diagnosticadas com a doença.

Diante desse panorama desafiador, o projeto de mapeamento das instituições de assistência às crianças e aos adolescentes com câncer no Brasil é uma iniciativa promissora para identificar as necessidades e promover melhorias significativas no tratamento e na qualidade de vida desses pacientes.

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