O caso levou o ministro Alexandre de Moraes a incluir Bolsonaro na investigação sobre a invasão às sedes do Três Poderes, para apurar se o ex-presidente incitou os atos ao compartilhar o vídeo nas redes sociais em 10 de janeiro. No conteúdo do vídeo, um procurador do estado de Mato Grosso questionava a regularidade das eleições de 2022, em entrevista à Rádio Hora 92,3.
Vale lembrar que Jair Bolsonaro havia entrado com duas ações no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) contestando o resultado das eleições, mas ambas foram rejeitadas. A defesa do ex-presidente argumenta que o vídeo em questão foi retirado da plataforma Metamemo.org, e que será necessária uma perícia para analisar a veracidade da gravação.
Os advogados destacam que é preciso cautela ao analisar o conteúdo como prova, uma vez que a mera associação entre um vídeo apagado e um supostamente salvo não pode ser tomada como uma correspondência definitiva. “A noção de que o vídeo recuperado reflete fielmente o conteúdo do vídeo deletado é uma conjectura sensível, porém, longe de ser uma afirmação incontestável”, afirmam.
Antes da recuperação da gravação, o ministro Alexandre de Moraes havia dado um prazo de 48 horas para o Facebook enviar o vídeo à Corte, mas a plataforma informou que a publicação foi apagada por Bolsonaro e “não está disponível nos servidores da empresa”.
A inclusão de Bolsonaro na investigação e a recuperação do vídeo geram mais um capítulo na conturbada relação entre o ex-presidente e o STF, além de alimentar ainda mais o cenário político polarizado no Brasil. A defesa do ex-presidente se mantém firme na posição de que a publicação da gravação foi acidental e contesta sua utilização como prova no caso, enquanto o desenrolar do processo segue gerando repercussões na esfera jurídica e política do país.