As alegações contra Moro incluem gastos excessivos durante a fase em que ainda não tinha oficializado sua candidatura ao Senado, mas buscava se candidatar à Presidência da República. Segundo o Partido Liberal (PL) e a federação PT/PV/PCdoB, Moro teria desequilibrado a disputa ao fazer uso excessivo de recursos financeiros antes do período oficial de campanha eleitoral.
Os procuradores regionais eleitorais Marcelo Godoy e Eloisa Helena Machado protocolaram um parecer de 79 páginas, no qual afirmam que “a lisura e a legitimidade do pleito foram inegavelmente comprometidas pelo emprego excessivo de recursos financeiros no período que antecedeu o de campanha eleitoral”.
As ações contra Moro foram motivadas pelos gastos do senador quando ainda era pré-candidato à Presidência pelo partido Podemos. De acordo com as acusações, Moro teria gastado mais de R$ 4 milhões com viagens, eventos e outras despesas antes de oficializar sua candidatura ao Senado pelo União Brasil, partido para o qual mudou pouco antes do prazo final.
A defesa de Moro alega que os processos têm “conotação política” e nega qualquer irregularidade, argumentando que os gastos da pré-campanha à Presidência não podem ser contabilizados na campanha para o Senado, pois se tratam de cargos com eleições em âmbito nacional e estadual, respectivamente.
Contudo, o Ministério Público Eleitoral argumenta que a projeção nacional de uma figura pública desempenha um papel crucial, mesmo em eleições em nível estadual, influenciando diversos aspectos do processo eleitoral.
Após as alegações das partes e do MPE, o próximo passo é aguardar que o juiz relator, Luciano Carrasco Flavinha de Souza, emita seu voto, condenando ou absolvendo Moro. No entanto, a expectativa é que o caso seja julgado apenas no ano que vem, devido à proximidade do recesso judiciário, que começa na próxima semana.