Privatização da Sabesp Divide Deputados e Cidadãos Paulistas
Após uma longa e intensa sessão que durou cinco horas, deputados estaduais paulistas encerraram as discussões sobre a privatização da Sabesp na noite da última segunda-feira (4). No entanto, a desestatização da companhia de saneamento de São Paulo não foi votada, deixando as discussões para o próximo dia.
Os debates devem ser retomados nesta terça-feira (5), a partir das 19h, com os parlamentares se preparando para novas rodadas de discussões acaloradas.
Durante as sessões, apenas os parlamentares da oposição ao projeto do governo Tarcísio de Freitas (Republicanos) tomaram a palavra, destacando-se pela tentativa de adiar ao máximo a votação da privatização da empresa.
A acusação mais proeminente envolve a alegação de que o governo prometeu aumentar a liberação de emendas parlamentares para R$20 milhões, visando os votos favoráveis à privatização da empresa, uma afirmação negada pela base do governo.
De um lado, deputados do governo buscam aprovar o projeto até quarta-feira (6), enquanto a oposição tenta prolongar os debates até a semana seguinte. Para isso, ausentaram-se das sessões para forçar um cancelamento por falta de quórum e apresentaram questões de ordem, utilizando as ferramentas previstas no regimento da Casa.
A plateia presente nas sessões se dividiu entre manifestantes contrários e favoráveis à venda da empresa, refletindo a divisão da opinião pública sobre o assunto. As intervenções dos manifestantes provocaram o presidente da Casa, André do Prado (PL), que ameaçou impedir a presença do público nas próximas sessões.
A proposta enviada pelo governo busca reduzir a participação estatal na companhia de 50,3% para algo entre 15% e 30%, o que tem gerado críticas por parte dos parlamentares da oposição.
Parlamentares de esquerda criticaram a ausência de previsão de arrecadação com a venda da empresa, bem como a falta de indicação sobre a redução nas tarifas após a privatização, argumentos centrais da gestão Tarcísio. O governo afirmou que esses dados serão apresentados até janeiro, na próxima fase de estudos da privatização, após a aprovação do projeto na Assembleia.
Diante disso, questionamentos fundamentais foram levantados, como os motivos para entregar a empresa mais lucrativa do estado sem clareza sobre as questões que permanecem em aberto, conforme destacado pelo deputado Paulo Fiorilo (PT).
O clima de animosidade se elevou quando os deputados da base bolsonarista, Gil Diniz e Lucas Bove (ambos do PL), defenderam que o projeto privatista ganhou nas eleições, levando a manifestações de desagrado por parte dos presentes.
Frustração e Estratégias de Convencimento
Dentro da base governista, houve insatisfação, com alegações de que o governo direcionou mais recursos para indicações de deputados do centrão e até da oposição, enquanto ignora os aliados. Isso, segundo a base, evidenciou um desequilíbrio na distribuição de recursos.
Levantamento da Folha apontou que o Republicanos, partido do governador, levou vantagem com R$ 18,2 milhões em repasses, seguido pelo PL (R$ 13,5 milhões), PSD (R$ 11,6 milhões) e o PSDB (R$ 9,9 milhões), todos da base de sustentação do governador. O governo prometeu R$ 11 milhões aos parlamentares da base e metade aos de oposição, o que gerou desconforto entre os bolsonaristas.
Para garantir os votos necessários, o governador se reuniu com os parlamentares do bloco bolsonarista, prometendo não enviar projeto de lei de aumento do ICMS na tentativa de apaziguar os ânimos.
Opinião Pública
Uma pesquisa Datafolha de abril apontou que 53% dos moradores do estado de São Paulo são contra a privatização da Sabesp, enquanto 40% se mostraram favoráveis à venda da empresa, evidenciando a divisão de opiniões e a complexidade da discussão em um tema tão sensível para a população paulista.
Auta Queiroga