Proclamação da República: 134 anos depois, desafios para uma sociedade mais democrática e inclusiva

Historiadores apontam que a República, apesar de ter sido apresentada como um governo do povo, iniciou de forma excludente, favorecendo apenas poucos setores sociais. Foi um projeto liderado pela elite agrária cafeeira e pelos militares vitoriosos da Guerra do Paraguai, resultando na exclusão de grande parte da população brasileira, como pobres, negros, indígenas e mulheres.
O conceito de República era elitista, liderado por setores militares e positivistas influenciados pelo pensamento científico europeu do século XIX. Houve a exclusão de parcelas pobres e dos negros, que não encontraram espaço de poder nessa concepção. Mesmo com o protagonismo de algumas figuras, como o jornalista e vereador José do Patrocínio, a hegemonia branca e masculina permaneceu, com a exclusão das mulheres na nova ordem sociopolítica.
A Proclamação da República foi liderada por três forças: uma parcela do Exército, fazendeiros do oeste paulista e representantes das classes médias urbanas. Apesar das mudanças no Império e do enfraquecimento político, econômico e social, as configurações raciais e de gênero continuaram a nortear os rumos da nova República.
Passados 134 anos da Proclamação da República, a data não é apenas uma celebração, mas uma oportunidade para refletir sobre os desafios atuais do país para se tornar mais democrático e diverso. É preciso superar a injustiça no sistema de justiça, combater a violência nos territórios mais vulneráveis, promover políticas públicas para populações marginalizadas e ampliar a participação das pessoas negras nos espaços de poder. São desafios que mostram a necessidade de completar a obra republicana em busca de uma sociedade mais desenvolvida, civilizada e democrática.