Ministro israelense fala em possibilidade de bomba atômica na Faixa de Gaza
Por: Redação
Publicado em: 15/10/2021
Em uma breve entrevista a uma rádio israelense, o ministro Amichai Eliyahu, encarregado dos assuntos de Jerusalém, surpreendeu ao afirmar que jogar uma bomba atômica na Faixa de Gaza é “uma opção”. Embora tenha sido suspenso pelo primeiro-ministro Netanyahu e tenha recebido pedidos de demissão, Eliyahu explicou que a declaração foi feita “metaforicamente”. No entanto, a gravidade do tema foi ressaltada, provocando polêmica e preocupação.
O contexto atual, envolvendo o Irã na guerra, torna a discussão em torno do uso de artefatos nucleares ainda mais delicada. Desde as explosões de Hiroshima e Nagasaki em 1945, militares e civis em várias partes do mundo já cogitaram o uso de bombas nucleares em campos de batalha. Ex-presidentes americanos, como Harry Truman, Dwight Eisenhower e Lyndon Johnson, recusaram pedidos para o uso desse tipo de artefato em conflitos na Coreia, China e Vietnã entre 1950 e 1968.
Mencionando um episódio histórico, o jovem professor americano Henry Kissinger despontou com um livro sobre o uso de artefatos nucleares com baixo teor explosivo, como armas táticas, ampliando ainda mais o debate em torno do tema.
No caso de Israel, a questão nuclear é parte de uma história marcada pela clarividência, tenacidade e astúcia diplomática. Em 1948, meses antes da criação do Estado de Israel, o líder sionista David Ben-Gurion já recrutava cientistas para discutir a construção da bomba atômica. A partir daí, Israel passou a desenvolver um programa nuclear, inicialmente controverso e desconfiado pela comunidade internacional.
O ministro da Defesa Shimon Peres foi fundamental para viabilizar a construção de um reator nuclear em Dimona, no deserto do Neguev, apesar das desconfianças dos Estados Unidos. Hoje, especula-se que Israel possua entre 60 e 400 bombas nucleares, apesar de oficialmente negar tal posse. Essa postura de negação dos artefatos nucleares é um segredo abertamente público que, ao mesmo tempo, reforça a imagem de Israel como um país capaz de usar todas as armas disponíveis em uma situação extrema.
Por décadas, Israel produziu e estocou artefatos nucleares, mantendo ambos em sigilo e em debate como “opção de Sansão”, em referência ao personagem bíblico conhecido pela destruição do templo dos filisteus. Nesse contexto, Amichai Eliyahu usou uma “metáfora” que reflete a realidade ao mencionar uma possível bomba atômica na Faixa de Gaza.
Diante desse cenário, a discussão sobre a guerra e suas consequências assume um novo patamar, envolvendo não apenas as operações contra o Hamas em Gaza, mas também a possibilidade de uma expansão do conflito, incluindo o Irã. Esse risco implica em reflexões e decisões que transcendem a política regional, impactando a segurança global.
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