Empresário acusado de financiar atos antidemocráticos fica calado durante depoimento à CPMI
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Durante o depoimento, o empresário respondeu a alguns parlamentares de forma pontual. Ele confirmou seu grau de parentesco com pessoas que tinham caminhões bloqueando rodovias após as eleições de 2022. Também afirmou empregar 100 pessoas em seus negócios e se declarou inocente, negando estar sendo intimidado. No entanto, ao ser questionado sobre quantos caminhões de sua família bloquearam rodovias e vieram a Brasília para os protestos, ele se negou a responder.
A relatora da CPMI, senadora Eliziane Gama, confrontou Bedin com um relatório da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) que apontava a participação de 272 caminhões no movimento, sendo 72 de sua cidade e 16 de sua propriedade ou de familiares. A senadora também exibiu um vídeo mostrando que os bloqueios impediram a passagem de uma criança que precisava de uma cirurgia de emergência no olho, além de manifestantes armados.
Enquanto deputados de oposição elogiaram a trajetória empresarial do agricultor, o deputado Carlos Veras afirmou que Bedin financiou campanhas e recebeu recursos públicos para suas empresas. Durante a reunião, os integrantes da CPMI rejeitaram a convocação de comandantes da Força Nacional, que têm sido alvo de críticas por sua atuação durante os ataques.
O presidente da comissão, deputado Arthur Oliveira Maia, propôs um acordo de procedimentos para a votação do relatório final da CPMI, estabelecendo que não haverá requerimentos para o encerramento da discussão. A leitura do relatório está prevista para o próximo dia 17, e a oposição apresentará um voto em separado.
O último depoimento da CPMI será na próxima quinta-feira, com o subtenente Beroaldo Freitas Júnior, do Batalhão de Choque da Polícia Militar do DF, que atuou na contenção dos manifestantes em 8 de janeiro. Não haverá reuniões na semana seguinte.
Durante a reunião desta terça-feira, deputados aliados ao governo e de oposição comentaram a decisão do ministro Nunes Marques, do STF, que suspendeu a quebra de sigilos bancário, fiscal e telemático do ex-diretor da Polícia Rodoviária Federal, Silvinei Vasques, determinada pela comissão.
A CPMI está em fase de encerramento e busca esclarecer os fatos relacionados aos ataques às sedes dos Três Poderes, assim como investigar possíveis financiamentos de atos antidemocráticos. Argino Bedin, empresário mato-grossense acusado de financiar tais atos, permaneceu calado durante a maior parte do seu depoimento à comissão. A convocação de comandantes da Força Nacional foi rejeitada, e a votação do relatório final está prevista para o próximo dia 17, com um voto em separado da oposição. O último depoimento será realizado na próxima quinta-feira pelo subtenente Beroaldo Freitas Júnior. A decisão do ministro Nunes Marques de suspender a quebra de sigilos do ex-diretor da Polícia Rodoviária Federal também foi comentada durante a reunião.