Movimentos sociais realizam o 29° Grito dos Excluídos e Excluídas com protesto em São Paulo contra violência e privatizações.

Nesta segunda-feira (7), movimentos sociais realizam a 29° edição do Grito dos Excluídos e Excluídas, utilizando o lema “Você tem fome e sede de quê?”. Os manifestantes, que já se concentram na Praça Oswaldo Cruz, na capital paulista, irão marchar em direção ao Parque Ibirapuera, percorrendo uma distância aproximada de 3 quilômetros.

Durante o evento, uma liderança mencionou em seu discurso que o protesto deixou de ser realizado nos últimos dois anos devido à violência e intimidação, sugerindo que o clima hostil contra movimentos populares teria sido estimulado pelo governo de Jair Bolsonaro. Outra liderança, uma mulher, afirmou que agentes de segurança pública tentaram impedir a realização do ato, mas a Secretaria da Segurança Pública ainda não se pronunciou sobre o assunto.

Os manifestantes, com carros de som e bandeiras, também defendem o nome de Guilherme Boulos para a prefeitura da capital nas eleições de 2024. Ivanete Araújo, coordenadora do Movimento de Moradia na Luta por Justiça (MMLJ), ressaltou que a pandemia de covid-19 revelou a vulnerabilidade da população excluída, porém, fortaleceu a articulação dos movimentos sociais.

“A favela cresce, as mortes aumentam, nossos irmãos negros são condenados e os movimentos sociais são criminalizados. Esperamos que através do nosso ato possamos alcançar os direitos que deveriam ser de todos”, acrescentou Ivanete.

Além disso, os participantes do Grito dos Excluídos também reivindicam justiça social para todos e criticam as privatizações no estado de São Paulo. Paulo Pedrini, coordenador da Pastoral Operária, destacou que alguns pontos da cidade, como a Cracolândia, têm chamado a atenção para o direito à cidade, que deveria ser assegurado a todos.

Pedrini também explicou que o movimento lançou um plebiscito contrário à privatização da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp), do Metrô de São Paulo e da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM). A ideia é discutir essa questão com a população e coletar votos durante o Grito dos Excluídos.

Além das manifestações, a organização do protesto promove um café da manhã para pessoas em situação de rua, na Praça da Sé, e está coletando roupas, sapatos e alimentos no local. O padre Julio Lancellotti participa dessa ação solidária.

O Grito dos Excluídos se configura como uma oportunidade para que os movimentos sociais possam reivindicar seus direitos, denunciar injustiças e buscar mudanças em prol de uma sociedade mais justa e inclusiva.

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