Para romper com a dominação direta de Portugal, Dom Pedro I precisou costurar acordos com os proprietários de terras que dependiam do trabalho escravo para manter a produção. Essa aliança também foi essencial para evitar a fragmentação do país, o que aconteceu com as colônias de dominação espanhola.
Dessa forma, a independência do Brasil estava diretamente ligada ao interesse da classe senhorial em manter seus privilégios e poder. Como resultado, a população negra escravizada não teve sua libertação garantida e, pelo contrário, continuou sendo explorada mesmo após o fim da escravidão institucionalizada.
Após a abolição, o Império acabou dando lugar à República em 1889. No entanto, isso não trouxe melhorias significativas para a vida da população negra. Oliveira destaca que ao longo da história do Brasil, houve diversos pactos entre as elites, que mantiveram a exclusão, a escassez e o genocídio da população negra.
No entanto, é importante ressaltar que a declaração de independência ocorreu em um contexto de revoltas populares contra a opressão colonial. Oliveira pondera que, apesar de todas as mudanças terem sido suprimidas, a participação popular e os projetos sociais que surgiram nesse período são igualmente relevantes.
Não apenas a população negra, mas também os povos indígenas foram ignorados na independência do Brasil. Desde o momento da colonização, os territórios indígenas têm sido invadidos e suas culturas têm sido alvo de genocídio e etnocídio. Casé Angatu, historiador indígena, afirma que a independência do Brasil não trouxe benefícios para os povos originários, que continuam lutando pelos seus direitos e pela garantia de suas terras.
Outro aspecto destacado é a manutenção da desigualdade social e a concentração de terras nas mãos de poucos proprietários. Mesmo após o fim do Império, não houve uma reforma agrária no país, o que contribui para a perpetuação das injustiças sociais.
Angatu argumenta que o Brasil deveria reconhecer sua condição de Estado plurinacional, assim como outros países da América Latina já o fizeram. Ele ressalta a importância de reconhecer a diversidade étnica e cultural do país e garantir os direitos dos povos indígenas.
Em resumo, a independência do Brasil em relação a Portugal, em 1822, foi conquistada em um contexto de escravidão e exclusão. Tanto a população negra quanto os povos indígenas não foram beneficiados com a independência, e as desigualdades sociais e estruturais persistem até os dias atuais. É fundamental reconhecer a importância das lutas populares que ocorreram nesse período e garantir a igualdade de direitos para todos os cidadãos brasileiros.