Ali Bongo estava em prisão domiciliar desde a quarta-feira passada, pois sofria dificuldades de movimentação em sua perna e braço direitos após ter sofrido um AVC em outubro de 2018. No dia em que foi tirado do poder por um grupo de oficiais das Forças Armadas, o cancelamento das eleições, a ausência de observadores internacionais, o corte de acesso à internet e o toque de recolher noturno foram justificativas para a tomada de poder. Além disso, as fronteiras foram fechadas e instituições estatais, como o Senado e a Assembleia Nacional, foram dissolvidas.
O general que liderou o golpe chamou o movimento de “libertação nacional” e uma “manifestação da vontade de Deus”. Ele propôs realizar um referendo sobre uma reforma constitucional, defendeu novos códigos eleitorais e penais e prometeu a libertação dos presos políticos e o repatriamento dos exilados. Na última terça-feira, parte dessas promessas foi cumprida, com a libertação de presos políticos detidos em julgamentos controversos.
Um dia antes, o general Nguema tomou posse como líder do país e prometeu devolver o poder aos civis em “eleições livres e transparentes”. No entanto, não estabeleceu uma data para isso acontecer. Ali Bongo foi eleito pela primeira vez em 2009 para suceder seu pai, que permaneceu no poder por 42 anos. Após o golpe, o ex-líder negou as acusações de irregularidades na eleição e pediu que a população se manifestasse.
A comunidade internacional, incluindo a União Africana, a União Europeia, a ONU e grande parte dos países ocidentais, condenaram o golpe, mas reconheceram que, ao contrário de outras rupturas no continente, esse foi precedido por uma eleição claramente fraudulenta. O chefe da diplomacia europeia, Josep Borrell, chamou o golpe de um “golpe institucional”.
O futuro político do Gabão permanece incerto, mas a população espera que as promessas de eleições livres e transparentes sejam cumpridas e que o país possa se estabilizar após essa grave crise institucional.