De acordo com informações antecipadas pela Folha de S.Paulo, o programa visa disponibilizar ensino técnico dentro da estrutura atual das escolas regulares, com aulas presenciais ministradas por profissionais que não necessariamente sejam professores, mas que atuem na área dos cursos oferecidos. Essa iniciativa é a grande aposta do governo para aumentar rapidamente a modalidade de ensino técnico e cumprir a promessa de campanha de ampliar o número de matrículas no ensino técnico.
No entanto, essa proposta tem gerado polêmica e insatisfação entre os professores. No caso das escolas técnicas estaduais e faculdades técnicas, os professores entraram em greve desde o dia 8 de agosto, temendo que a estrutura e os investimentos do Centro Paula Souza sejam abandonados. Além disso, professores de escolas regulares também criticam a medida, alegando que as unidades não possuem uma estrutura física adequada para receber os cursos técnicos, que demandam laboratórios e equipamentos para aulas práticas.
Em resposta às críticas, a Secretaria de Educação afirmou que o programa oferecerá 100 mil vagas em dez cursos técnicos em 2024 e garantiu que o processo está sendo construído de forma democrática, com ampla participação das escolas e dos estudantes. Em julho, a decisão final sobre a oferta dos cursos técnicos foi submetida aos conselhos escolares das escolas participantes, sendo aprovada por 90% deles.
Os cursos técnicos experimentais anunciados são ciência de dados e apoio pedagógico na educação básica. Esses cursos não constam no Catálogo Nacional de Cursos Técnicos, documento que orienta o ensino profissionalizante em todo o país. Além desses, a secretaria planeja oferecer outras oito modalidades: administração, logística, vendas, agronegócio, hotelaria e eventos, farmácia, enfermagem e desenvolvimento de sistemas. Essas modalidades já são oferecidas nas escolas técnicas ligadas ao Centro Paula Souza.
No entanto, o Conselho Estadual de Educação expressou preocupações com a falta de mapeamento na resolução da Secretaria da Educação para evitar a duplicidade dos cursos na mesma região. O conselho também apontou a escassez de profissionais qualificados para atuar como professores e a necessidade de uma ampliação do número de vagas. A secretaria informou que um edital está aberto para a contratação temporária de docentes e que professores efetivos com formação nas áreas dos cursos técnicos terão prioridade na atribuição de aulas.
O secretário de Educação, Renato Feder, defende a ampliação do ensino técnico como forma de tornar a escola mais atraente para os jovens e prepará-los melhor para o mercado de trabalho. Especialistas também veem a importância de fomentar essa modalidade de ensino, mas alertam para a necessidade de qualificação dos professores e adequação das estruturas escolares. Além disso, a criação de cursos experimentais, que não estão no catálogo nacional, também gera preocupações, uma vez que não se sabe qual é a qualificação que esses cursos pretendem oferecer aos estudantes.
A Secretaria da Educação ressaltou que a criação dos dez cursos profissionalizantes foi baseada em uma análise detalhada sobre a quantidade de empregos por região, utilizando dados oficiais da Rais ao longo de quatro anos. Eles também levaram em consideração as escolhas das direções das escolas e a manifestação de interesse dos estudantes realizada em maio deste ano. A criação desses cursos experimentais está respaldada em uma resolução do Conselho Estadual, e a secretaria afirmou ainda que o curso de ciências de dados foi desenvolvido em parceria com o Centro Paula Souza e a Fundação Telefônica. Já o curso de apoio pedagógico na educação básica atende a uma demanda específica de auxiliares de classe.
A implementação desse programa de cursos técnicos em escolas regulares é um desafio que envolve diversas questões, desde a estrutura física das escolas até a qualificação dos professores. A proposta visa expandir o ensino técnico e preparar os estudantes para o mercado de trabalho, mas é fundamental garantir que a qualidade da educação não seja comprometida e que os cursos oferecidos atendam às demandas reais dos estudantes e do mercado.